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Saber nunca é demais
e não ocupa espaço

Os Dialetos Italianos

Que o idioma oficial da Itália, é o italiano, não é nenhuma novidade.

Essa língua descende do toscano literário, usado inicialmente (em torno de 1.300 D.C.) por grandes escritores como Dante Alighieri, Boccaccio e Pretrarca, e, daí evoluiu para a atual língua italiana.

O italiano como conhecemos hoje, era falado por uma minoria da população, quando da unificação italiana em 1861.

Os dialetos, ou idiomas locais pré-existentes, não só permaneceram, como também conseguiram passar para as próximas gerações, casa vez mais “italianizadas”.

Cabe ressaltar, que a expressão “dialetos italianos” não é correta, uma vez que os dialetos descendem do latim falado ou latim vulgar, e, a língua italiana padrão, descende desses dialetos, e não o contrário.

Até o fim da década de 50, os dialetos, permaneceram como “língua absoluta” e comum em seus locais. Com a crescente alfabetização, o italiano padrão, foi sendo gradualmente “aceito” como a língua oficial.

Porém eles persistem: Segundo dados estatísticos atuais, 44% dos italianos fala exclusiva ou predominantemente o italiano; já 51%, o alterna com uma língua regional (dialeto) ou outra língua; e, 5% o dialeto ou outro idioma diverso do italiano.

As gerações mais jovens conhecem seu dialeto de origem no mínimo, ainda que não o domine na totalidade.

É difícil precisar quantos dialetos existem na Itália, pois não só cada região, como também cada cidade, seja grande ou pequena, possui um dialeto diferente. Eles podem variar até mesmo em cidades distantes 5 kms uma da outra!

Cito meu caso pessoal, onde minha cidade paterna Irsina, na região da Basilicata, tem seu dialeto, o “irsinese”, diferente daquele da capital da província homônima, Matera, com o dialeto “materano”, distante cerca de apenas 35 kms, uma da outra.

Mesmo as pessoas que falam dialeto, em sua maioria, não conseguem escrevê-lo, tal a sua complexidade.

Assim sendo, ao citarmos o dialeto calabrês ou siciliano, tenhamos em conta que essa classificação é imprecisa, pois casa cidade e/ou vilarejo dentro da região da Calábria ou da Ilha da Sicília, possuem um dialeto, ainda que semelhantes, que guardam suas diferenças.

Na Calábria, o dialeto falado na cidade de Reggio di Calabria é diferente daquele falado em Cosenza; e na Sicília, o dialeto falado na capital Palermo, difere daquele falado em Catania, por exemplo.

Outra situação curiosa que ocorre, é a mistura do italiano padrão com um dialeto local. Na Sicília, por exemplo, é muito comum ver pessoas usando palavras ou expressões dialetais em uma conversa em italiano.

Características de alguns dialetos italianos:

Siciliano: O siciliano é um dialeto que sofreu influências de todos os povos que colonizaram a Sicília: gregos, bizantinos, árabes, espanhóis e até alemães. É possível notar uma grande influência latina, com as vogais finais pronunciadas em maneira bem clara e aberta. No siciliano, são várias as palavras que terminam com “u” ao invés de “o”, como “mortu” ao invés de morto, “focu” ao invés de fuoco, “iu” ao invés de io (eu, em italiano).

Napolitano: É um dos dialetos mais famosos da Itália, e ainda muito, muito falado mesmo. O dialeto napolitano se caracteriza por usar o fonema “chi” (que se pronuncia “Ki”) onde em italiano há o “Pi” (como em “Nun chiove chiú” – “Non piove piú”, não chove mais). Além disso, os artigos definidos perdem o “l” inicial do italiano (‘o sole (Il sole – o sol), ‘a casa (la casa), ‘e piatte (os pratos).

Vêneto: Ao contrário das outras regiões do norte da Itália, o vêneto não é uma língua gálico-itálica, mas tem origens próprias. Uma particularidade do dialeto vêneto é a pronúncia do c com com de s, quando vem antes das vogais “e” e “i” (como no português!). Assim, a palavra cinque se pronuncia “sinque”  (e não tíncue, como no italiano), “sento” ao invés de cento; “braso” ao invés de braccio.

Romano: Chamado de “romanesco”, o dialeto romano é um dos que mais se ouve na tv e no cinema. É um dialeto muito próximo ao italiano, o que o torna de fácil compreensão. Uma das características do romanesco é a pronúncia de nn ao invés de nd (ao invés de “quando”, se pronucnia “quanno”, e “monno” ao invés de “mondo”), os verbos no infinitivo não terminam em “are” ou “ire” mas em “á” o “í” (mangiá, passeggiá, etc). Além disso, muitas vezes a letra “l” antes de uma consoante é substituída pela letra “r”, por exemplo:  “ciò la màghina tarmente veloce ch’er navigatore me parla ar passato” (tenho um carro talmente veliz que o navegador fala comigo no passado).

Milanês: É classificado como dialeto setentrional gaulês e caracteriza-se por ter muitas palavras e a pronúncia parecida com o alemão e com o francês. Por exemplo, existem as vogais ö y ü, e as conjunções “eau” e “oeu” (como en “me batt el cör” (meu coração bate) ou “te gh’ee l’oeucc pusée grand del boeucc” – (você tem o olho maior que a barriga).

Não podemos esquecer que tal é a força dos dialetos, que muitos cruzaram o oceano: O português falado na cidade de São Paulo por exemplo, sofreu grande influência do dialeto napolitano. O resultado disso é o sotaque paulistano.

Já o dialeto vêneto, influenciou o sotaque e o português falado no Rio Grande do Sul, especialmente na serra gaúcha.

Hoje, algumas cidades italianas e até no Brasil, procuram preservar e manter vivo seu dialeto.

Pois é, eles, os dialetos estão mais vivos do que se pensa.

Por Domenico Spano

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