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Saber nunca é demais
e não ocupa espaço

Sangue Italiano

Sangue italiano

Desde a meninice, manifestei muita curiosidade em conhecer as origens das minhas famílias italianas, a paterna e a materna. Ouvia, com atenção, meus bisavós, avós e pais ocasionalmente conversarem sobre os nossos, que vieram, entre 1895 e 1902, do norte e do sul da “bota” para o Brasil. Em 2003, consegui localizar parentes no amado país, bem como tive êxito em levantar uma árvore genealógica considerável, desde 1691. A partir de então, minhas pesquisas prosseguiram de forma cada vez mais obstinada, e, em nome dela, não poupei esforços, tempo ou dinheiro.

O livro reconstitui, brevemente, a história e a geografia dos povos do sul e, em partes, também dos povos do norte. Além das pesquisas, recorri a livros de história para entender o que levou milhões de italianos a abandonar sua pátria, então recentemente unificada, e hoje posso dizer que compreendo a razão: a fome, a miséria.

À medida que as investigações progrediam, eu verificava a suntuosa epopeia que foi o fenômeno da emigração ao exterior, especialmente às Américas e à Austrália; algo que era um verdadeiro lance de dados sem nenhuma garantia de vitória. E, no entanto, decorrido pouco mais de um século, vejo, a mim e aos outros, os gli oriundi – descendentes de italianos –, ocupando posições de relevo no Brasil, Argentina, EUA e outros países.

Na minha família, a emigração ocorreu sob o signo da tragédia: mortes trágicas, suicídio, crimes, estupro, fome e miséria, desde a Itália até o Brasil. Nem tudo, porém, foi tão tempestuoso: ao contrário, após a adaptação à nova terra, as gerações seguintes começaram, gradativamente, a prosperar, e mais e mais, tendo parcela considerável dos descendentes obtido uma ótima posição social.

Esta obra é uma contribuição à história da Grande Emigração Italiana. Tenho a certeza de que muitos descendentes de italianos reconhecerão, imediatamente, experiências semelhantes vividas por suas famílias, especialmente aqueles cujas famílias se radicaram nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul, entre outros, mas também aqueles cuja ascendência estabeleceu-se em países como Argentina e Uruguai. O livro é ilustrado com material extraído de arquivos paroquiais, judiciais, civis e fotográficos, oriundos da Itália e do Brasil.

Com ele, pretendo lembrar aos italianos de que a consciência das origens é importante para o senso de identidade, e de que nossa cultura é milenar, repleta de grandes realizações, tanto científicas quanto artísticas, as quais inspiraram, de forma muito poderosa, o mundo ocidental moderno. Devemos orgulhar-nos de nossa italianidade, honrá-la e mantê-la viva, pois dela somos parte.

Ficarei feliz se conseguir infundir-lhes orgulho pela nossa pátria materna Itália, mas lembrando-nos sempre daquela que nos abrigou e na qual prosperamos: o Brasil.

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